O que fica quando o tempo passa: o retorno de Saturno
Trinta anos em uma mesma instituição! O número, por si só, me traz questionamentos. Em uma cultura que nos empurra para a novidade constante, parar para observar três décadas de um mesmo caminho parece um ato de rebeldia. Escolho fazer esse exercício justamente agora, pois a próxima segunda feira me convida a olhar para o que passou: receberei, junto com muitos colegas do primeiro concurso da Fiocruz, uma placa comemorativa pelos trinta anos de casa. É um rito comum, que todos que completam esse tempo recebem, mas, diante desse marco, me pego pensando sobre o que realmente significa o tempo.
Muitas vezes, a gente se acostuma tanto com o movimento que perde a dimensão do que está construindo. Só agora, com o retorno de Saturno batendo à porta, o mesmo Saturno que estava em Áries quando fiz o concurso e assumi a vaga, é que percebo a dimensão desse percurso.
Astrologicamente, o retorno de Saturno acontece quando esse planeta volta ao mesmo grau que ocupava quando nascemos. A cada ciclo de quase trinta anos, ele nos obriga a rever o que construímos. É o momento em que a vida cobra a responsabilidade e nos convida a descartar o que não nos serve mais para assumir, de vez, a autoridade sobre a própria trajetória. Olhar para esses trinta anos não é sobre o objeto que receberei, nem sobre o crachá. É sobre a clareza de ter começado algo na juventude, com a coragem de quem queria marcar território, e chegar aqui entendendo que o que fiz não foi uma carreira linear, mas um mosaico de experiências.
O meu Sol na casa 9 sempre me impulsionou a buscar horizontes maiores, um sentido que vai além das fronteiras imediatas. Ao mesmo tempo, a minha casa 6 em Áries nunca me permitiu o marasmo na rotina do trabalho. O ímpeto de iniciar, de imprimir velocidade e de criar algo novo no dia a dia sempre falou mais alto. Mesmo dentro da mesma instituição, transitei, mudei de ares, busquei desafios diferentes e inventei formas novas de fazer as coisas. E, com Saturno in Gêmeos no meu mapa natal, aprendi que a minha estabilidade não é imobilidade; ela se encontra na troca, na pluralidade de funções e na capacidade de transitar por diferentes ideias. A estabilidade foi manter a curiosidade acesa em um ambiente que respira saúde pública.
Isso faz todo o sentido quando olho para a minha Lua em Virgem na casa 11. O conforto para mim nunca veio do palco ou de qualquer distinção; veio do fazer invisível, do trabalho que é entregue, do movimento que serve ao coletivo. A Fiocruz foi o lugar onde meu compromisso com o que é essencial encontrou uma engrenagem que pulsa pelo povo. Ela é uma referência para o país, e só agora, talvez por causa desse retorno de Saturno que me obriga a olhar para a estrutura, é que começo a entender a dimensão dessa jornada.
Ao contemplar esse percurso, percebo que não se trata apenas de uma história minha; é um movimento natural da vida que nos faz parar para observar o que viemos cultivando, muitas vezes sem perceber. O que é que, na sua vida, atravessa as décadas? Onde sua Lua encontrou um lugar para servir, enquanto o seu Sol buscava o seu querer? Ao fazermos essas perguntas, percebemos que a astrologia nos ajuda a ver que o tempo não é uma linha que se perde, mas um ciclo que se fecha para abrir a próxima porta. Receber esse marco enquanto Saturno está percorrendo Áries me faz entender que, na verdade, estou apenas pronta para o que começa agora.
Para a coluna do domingo que vem, dia 31 de maio, quero que o tema da coluna seja escolhido por você. Deixe sua sugestão nos comentários até quinta, dia 28 de maio. A melhor ideia será o tema do próximo texto e quem a enviou receberá acesso gratuito à aula especial que farei no próximo dia 10 de junho sobre o Dia dos Namorados.
Quer saber como o movimento do céu toca o seu cotidiano e em qual área do seu mapa o Sol em Gêmeos joga luz agora? Preparei um olhar específico para cada ascendente no Horóscopo Mensal.
Elaine Sampaio Imenes
Perfil Profissional
Elaine Sampaio Imenes é química, professora, terapeuta holística e astróloga. Atua na interface entre ciência, saúde e cultura, desenvolvendo projetos ligados às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS).
É presidente do Sindicato dos Astrólogos do Estado do Rio de Janeiro (SINARJ) e criadora da Metodologia das Encruzilhadas. Dedica-se ao estudo das relações entre ciclos celestes, tempo histórico e experiência humana, articulando astrologia, educação e cuidado. É autora da coluna Leitura do Tempo.
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