O eclipse de 12 de agosto: o mesmo céu, mapas diferentes | ASTROLOGIA

ASTROLOGIA Por: Elaine Imenez

O eclipse de 12 de agosto: o mesmo céu, mapas diferentes

O eclipse solar de 12 de agosto acontecerá por volta do grau 20 de Leão. O signo indica os temas envolvidos, mas é a posição exata do eclipse em cada mapa que permite compreender onde ele pode ganhar maior importância.

Leão é regido pelo Sol e está relacionado à criação, à expressão pessoal, à autoridade, ao reconhecimento e à consciência do lugar que ocupamos. Esses assuntos aparecem de maneiras diferentes para cada pessoa. Dependendo do mapa, o eclipse pode colocar em evidência uma questão profissional, uma relação amorosa, uma experiência familiar ou uma mudança na forma de se apresentar diante dos outros.

Tudo depende da casa astrológica em que o grau 20 de Leão se encontra e dos contatos formados com planetas e ângulos do mapa natal. Uma pessoa pode ter o Sol em Leão e, ainda assim, o grau do eclipse ficar distante dele. Outra, sem qualquer planeta nesse signo, pode ter o eclipse exatamente sobre o Ascendente ou o Meio do Céu, ou em aspecto exato com o Sol, a Lua ou outro planeta natal.

A casa mostra a área da vida envolvida. Os planetas acrescentam outras questões. Um contato com Vênus pode trazer para o centro da análise os relacionamentos, os valores e as escolhas afetivas. Um contato com Saturno pode destacar responsabilidades, limites e compromissos. Próximo ao Meio do Céu, o eclipse pode se relacionar à profissão, ao lugar público ou à maneira como a pessoa deseja ser reconhecida.

Este eclipse acontece justamente no signo governado pelo Sol. Durante a totalidade, a Lua encobrirá o astro que rege Leão. Astrologicamente, esse encobrimento acentua questões ligadas à autoridade, ao reconhecimento e à forma como cada pessoa ocupa o próprio lugar.

O simbolismo de Leão vai muito além do ego ou da vontade de aparecer. O signo fala da capacidade de criar, da responsabilidade pelo que se cria e da disposição para responder pelo lugar que se ocupa. Existe uma diferença entre chamar atenção e exercer autoridade. A primeira depende do olhar alheio; a segunda exige decisões e responsabilidade por suas consequências.

Leão também fala de liderança. Liderar pode ser dar direção, reunir talentos e reconhecer o valor de outras pessoas. O Sol ilumina sem retirar a luz de ninguém. Quem precisa diminuir os outros para se afirmar já transformou autoridade em disputa.

Diante desse eclipse, algumas perguntas são mais interessantes do que uma previsão geral. Qual é a diferença entre ocupar um lugar e depender da confirmação dos outros? O que fazemos por vontade própria e o que fazemos em busca de reconhecimento? Em quais situações esperamos aplauso quando o que se exige é responsabilidade? Que lugar desejamos ocupar e quais responsabilidades estamos dispostos a assumir?

Saturno retrógrado em Áries forma um trígono amplo e já separativo com o eclipse. Áries está relacionado à iniciativa e à afirmação da vontade; Saturno, ao limite, ao tempo e às consequências. Com Saturno retrógrado, a maneira como começamos, decidimos e exercemos autoridade também entra em revisão. Querer ocupar um lugar é apenas uma parte da questão. A outra é ter condições de responder por ele.

No Livro II do Tetrabiblos, Ptolomeu examina os eclipses em relação a países, cidades, governantes e acontecimentos coletivos. Para reconhecer os lugares relacionados a um eclipse, considerava o signo em que ele ocorria, as correspondências atribuídas a países e regiões, o horóscopo de fundação das cidades e a posição dos luminares nesses mapas. Também recorria ao Meio do Céu do mapa do governante. Entre os lugares vinculados ao eclipse, atribuía importância especial àqueles onde o fenômeno fosse visível.

A totalidade ocorre apenas dentro de uma faixa relativamente estreita do planeta. No dia 12 de agosto, essa faixa passará pelo norte da Rússia, pela Groenlândia, pela Islândia, pelo Atlântico, pela Espanha e parte de Portugal. Em outras regiões do Hemisfério Norte, o eclipse será parcial. No Brasil, ele ficará fora da área de visibilidade.

A diferença entre um eclipse de 99% e a totalidade parece pequena quando expressa em números. Enquanto uma parte da superfície luminosa do Sol permanece visível, sua claridade ainda encobre a coroa solar. Somente quando a Lua cobre completamente o disco solar a coroa aparece e o céu escurece de maneira acentuada.

Ptolomeu levava essas diferenças em conta ao examinar cada localidade. A duração e o grau de obscurecimento participavam da avaliação, assim como o signo do eclipse e suas correspondências com países e cidades.

Na astrologia mundial contemporânea, também se compara o grau do eclipse com mapas de fundação, independência, proclamação ou início de um regime político. Um contato exato com o Sol, a Lua, os ângulos ou outro ponto importante pode incluir na análise um país situado fora da área de visibilidade.

Esse procedimento se aproxima do uso que Ptolomeu fazia dos horóscopos de fundação das cidades, embora amplie a técnica para países onde o eclipse não foi observado. A atenção que ele dava à visibilidade continua importante. Para um território, estar na faixa de totalidade, na área de parcialidade ou fora da região de visibilidade são condições diferentes. O mapa do país acrescenta outro critério, sem apagar essa diferença.

No mesmo livro, Ptolomeu acrescenta uma observação importante sobre os mapas individuais. Entre as pessoas envolvidas em acontecimentos coletivos, seriam mais afetadas aquelas cujos luminares ou ângulos estivessem no grau do eclipse ou no grau oposto. A relação entre o eclipse e o mapa natal, portanto, já fazia parte de sua análise, ainda que a astrologia contemporânea também considere outros aspectos.

Na leitura natal atual, uma pessoa fora da região de visibilidade pode ter o grau do eclipse em contato exato com um ponto importante do mapa. Outra pode observar a totalidade e apresentar poucos contatos próximos com a própria configuração. Assistir à totalidade e ter o eclipse fortemente relacionado ao mapa natal são situações diferentes.

Previsões iguais para todos os leoninos deixam de fora justamente o que mais importa. A proximidade do grau, a casa envolvida, os planetas ou ângulos contatados e o que já está acontecendo na vida da pessoa precisam ser lidos em conjunto. O eclipse pode marcar uma mudança mais visível, tornar evidente uma questão antiga ou acompanhar um período que já vinha se definindo.

A pergunta mais útil é: onde está o grau 20 de Leão neste mapa e o que ele encontra ali? Isso diz muito mais do que perguntar o que acontecerá com os leoninos. O eclipse é o mesmo no céu, mas seu peso depende do mapa, do território e do que já está acontecendo. Em Leão, a questão talvez seja menos quem será aplaudido e mais quem está disposto a responder pelo lugar que deseja ocupar.

Lembrete de segurança: para observar o eclipse, use óculos próprios para observação solar. Óculos escuros comuns não protegem os olhos.

Elaine Sampaio Imenes

Perfil Profissional

Elaine Sampaio Imenes é química, professora, terapeuta holística e astróloga. Atua na interface entre ciência, saúde e cultura, desenvolvendo projetos ligados às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS).

É presidente do Sindicato dos Astrólogos do Estado do Rio de Janeiro (SINARJ) e criadora da Metodologia das Encruzilhadas. Dedica-se ao estudo das relações entre ciclos celestes, tempo histórico e experiência humana, articulando astrologia, educação e cuidado. É autora da coluna Leitura do Tempo.

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